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Que tal falarmos sobre depressão?


De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), a depressão é denominada como transtorno depressivo e é caracterizada por mudanças no afeto, cognição e nas funções cerebrais.  Na prática percebe-se na pessoa uma tristeza profunda, perda de interesse nas coisas que antes lhe dava prazer.  Em geral a pessoa sente uma forte ausência de ânimo e também muitas vezes manifesta como alterações de humor e ansiedade.



“Se o indivíduo apresenta alguns destes sintomas e estes persistem por mais de 15 dias, é essencial que procure um profissional da saúde, (psicólogo ou psiquiatra) para fazer o diagnóstico correto, pois sendo uma doença grave precisa ser tratada o quanto antes. “



A depressão é uma doença complexa e o termo depressão também engloba um grande número de subcategorias, cada uma com características e intensidade diferentes.   Assim sendo, uma pessoa com Depressão pode ser tanto aquela que não tem força para sair da cama, como também a que sofre internamente sem demonstrar aos demais com quem convive.

 
“Reconhecida hoje como “o mal do século”, a depressão, como tema, 
faz parte de nosso cotidiano,“
 

aparecendo massivamente nas mídias tradicionais e online, além de aparecer também como tema de muitos objetos de entretenimento como filmes e séries, novelas, além de entrevistas em revistas de variedades.  Um tema importante e que gera interesse da população, mas por isso mesmo muitas vezes é explorado de forma errada na busca por audiência e venda de espaços publicitários as empresas de mídia, tradicional e digital, acabam por não se preocuparem com a qualidade das informações que oferecem à sua audiência. 



Essa presença em nossas vidas faz com que todos nós nos sentimos capazes de falar sobre depressão, então, se um amigo relata estar desanimado, alguém já tem o diagnóstico na ponta da língua: depressão! Ou a própria pessoa já se sente deprimida e busca automedicação, o que não é aconselhável pois sobretudo em doenças como a depressão, uma medicação errada pode mascarar o sintoma ou até piorar o quadro.  A facilidade de acesso à informação oferecida pela internet, também acaba por banalizar o tema depressão, muitas vezes com informações equivocadas e até irresponsavelmente enganosas.  
 


“Por isso é importante sempre buscar informações 
sobre saúde em fontes fidedignas e seguras.”
 

Dados de uma pesquisa realizada em 1996, apontam que no Brasil, a automedicação é praticada principalmente por mulheres entre 16 e 45 anos, sendo que 51% das escolhas de medicamentos se baseiam em recomendação de outras pessoas e 40% repetem prescrições anteriores. 
 

É importante compreender que a tristeza é um estado normal e cotidiano e até mesmo saudável de nossa vida mental e que precisamos vivenciar momentos assim para nossa própria saúde mental e emocional.  Assim, não se deve rotular um estado de tristeza como depressão, que é uma doença. 
 

Por isso, nosso objetivo através deste artigo é esclarecer os leitores, acerca do problema, apresentando alguma informação que possa ajudar a reconhecer sinais de uma possível depressão e compreender a importância de buscar apoio profissional para uma avaliação segura. 
 

“As causas da depressão são multifatoriais. “
 

Entre os vários tipos de depressão, algumas podem ter sua origem em algum distúrbio hormonal como hipotireoidismo ou menopausa, além de fatores hereditários e tendências da genética  familiar. 
 
Alguns tipos de depressão surgem a partir do uso de determinados medicamentos ou substâncias lícitas ou ilícitas. 
 
Alguns tipos de depressão podem ter sua causa em alterações bioquímicas do corpo, sendo nestes casos indicado o tratamento com medicação através de um psiquiatra, já outras podem ser causadas por  bloqueios, traumas e falhas no funcionamento psíquico que podem ser resolvidas através de uma psicoterapia.  Em alguns casos o gatilho da depressão é a vida social por exemplo uma dificuldade no relacionamento familiar, conjugal ou no ambiente de trabalho.  É comum também que ela seja deflagrada por um estado de luto, seja pela falta de alguém que partiu ou mesmo por uma perda material ou de status social.   
 

“Em pessoas com histórico de depressão na família, é importante ficarmos atentos a eventos importantes da vida comum que podem desencadear a doença, como por exemplo divórcio ou demissão.  “

 
O protocolo de tratamento para a depressão envolve medicação e psicoterapia, assim é importante que se busque um dos profissionais para se compreender se trata-se mesmo de depressão e seguir o tratamento correto o quanto antes.  Um problema muito comum é que a pessoa que vive a depressão não é compreendida e muitas vezes é julgada por não conseguir lidar com situações da vida.  Assim, quem nunca vivenciou a depressão, julga a pessoa depressiva com seus  referenciais pessoais: 



Muito comumente a pessoa com depressão é rotulada como preguiçosa ou como uma pessoa “fraca” de caráter por não conseguir tomar iniciativa e “se mexer” para resolver seus problemas.   E isso é um problema muito grande pois o apoio da família é fundamental para a pessoa com depressão.



“Todos nós passamos por momentos difíceis na vida, que são pessoais como momentos de transição e perdas, “
 

porém cada indivíduo tem seus recursos internos próprios e isso é o que vai determinar de que forma ele vai conseguir lidar com estas situações.  Uma mesma situação pode ser estressante para um indivíduo e o outro “tirar de letra”, outros podem simplesmente “travar” e vivenciar um sofrimento tão grande que o levam a se isolar podendo deflagrar um estado depressivo.. 
 

“No senso comum, e na mídia, a depressão é relatada como tristeza, 
mas não é exatamente isso. “
 

A depressão é mais um estado de falta de energia, que leva o indivíduo a sentir-se prostrado, sem vontade de fazer as coisas pois não tem energia muitas vezes nem para se levantar da cama.  Mas essa falta de energia não é física, como quando estamos cansados.  O indivíduo sente uma falta de perspectiva tão forte que se mostra como um estado de “desistência” de tudo o que vivia antes.  E este estado mental é tão forte que em alguns casos extremos pode levar a comportamentos suicidas. 
 
 

“Pacientes que vivenciam a Depressão, relatam mais 
uma falta de energia e de perspectiva de vida,”
 

 falta de ânimo e vontade para fazer as coisas que normalmente lhe dava prazer, relatam o mundo como tendo perdido o colorido, vêem tudo cinza e o resultado final de tudo isso é um sentimento parecido com tristeza. Para as pessoas à sua volta, que julgam pelos seus próprios referenciais pessoais, acabam por rotular a pessoa com depressão como estando triste. 
  

Existem, também, pessoas mais sensíveis aos fatos da vida, que mesmo não estando em um quadro depressivo, mostram uma ansiedade tão grande que leva a uma falta de energia e consequente desânimo e tristeza em lidar por exemplo com dificuldades financeiras.   Nestes casos, nem sempre é uma depressão e é possível tomar algumas medidas para evitar, prevenir ou pelo menos amenizar a intensidade desse sofrimento, através do desenvolvimento de capacidades sociais e de pensamentos, para lidar com situações e resolver problemas.  Além disso, hábitos simples como alimentação, atividade física, suporte afetivo familiar também são importantes não só para estes indivíduos como também para toda pessoa que sofre de depressão. 


 por: Roberto Dantas - psicólogo CRP 06/148123

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