Dependência e Co-dependência Afetiva



Devemos lembrar que a co-dependência é sempre uma dependência “ao outro”, e é o que vou tratar neste texto, antes disso, quero abrir um “parêntese” para alguns esclarecimentos sobre o termo dependência ou co-dependencia:

"Segundo a Psiquiatria, o termo co-dependência tem origem no estudo da dependência quimica. Assim, os familiares que convivem com um drogadicto, sofre na maioria das vezes de transtornos comportamentais que o fazem viver em função dele.

Ou seja:

o co-dependente se anula e vive constante ansiedade e medo nesta configuração afetiva.



Assim, no nosso entender, as motivações que levam um indivíduo a se tornar dependente ou co-dependente, são pessoais, sendo que dois indivíduos na mesma situção podem desenvolver esta dependência ou não, pois cada um tem sua história de vida, suas capacidades e necessidades individuais, motivações inconscientes, seu contexto sócio-cultural ( e familiar ) e, portanto, sua maneira própria de se relacionar com os outros, construido no decorrer da sua história.

Por esta razão, na abordagem em que baseio meu trabalho clínico, não rotulamos ninguém, não atribuímos uma patologia a um indivíduo, pois se assim o fizermos, estaremos colocando no sujeito uma etiqueta, um rótulo o que é muito ruim pois o estigmatiza.

Deixando este esclarecimento de lado, voltamos ao tema; a co-dependencia, hoje como a vemos, nem sempre aparece como uma dependência à pessoas dependentes. Ela existe nos casos clássicos que deram origem à Lei Maria da Penha, por exemplo. Uma condição na qual um sujeito se sente "preso" a outro alguém, de forma que vivencie um sofrimento, do qual não consegue se desvencilhar.

É o caso de mulheres que sofrem violência doméstica, aprisionadas pelo medo e principalmente pela culpa.

Assim, mesmo tendo consciência desta dependência e de seus efeitos, não consegue mudar a situação e coloca-se sempre em segundo plano, muitas vezes se anulando.

Quando temos um drogadicto ( dependentes químicos ) como familiar muito próximo, (ou um alcoolista por exemplo), nossa vida é afetada, ou melhor de toda a família.

E por mais que cada familiar leve na brincadeira e pense “um dia isso acaba”, saiba que as repercurssões são muito profundas e certamente vão acompanhar os membros da família por toda a vida.

O ponto principal na co-dependencia é o fato de que apesar do sofrimento, o indivíduo não consegue "tocar" sua vida em frente, pois sente-se na obrigação de viver em função do dependente.

Uma familia, na qual um membro é dependente, fatalmente será uma familia adoecida e não somente o indivíduo. Isso porque todos os membros da família são afetados, pela situação e cada um vivencia sua parcela de ansiedade, de culpa, de angústia, que se manifestam em um conjunto dinâmico no qual o dependênte é o pivô: as relações familiares.

O assunto é extenso e me proponho a esclarecer mais sobre isso, dando continuidade a este texto em uma série que se inicia nesta primeira parte .

Quero atentar também para o fato do próprio dependente, ser emocionalmente ligado ao co-dependente, ( por isso a denominação"co-" ). Assim, atrvés de uma simbiose a relação se torna doentia acarrentando angústia e sofrimento a ambos.

Quero deixar claro que todos nós temos um grau de dependência, que é natural e saudável e esperado num ser humano saudável. Sem essa dependência, não nos vinculariamos tão fortemente á algumas pessoas mais próximas. Entretanto, todos temos uma tendência à Autonomia que nos mantém em um equilíbrio e, portanto, saudáveis. Essa Autonomia não significa dizer auto-suficiencia pois o ser humano é um ser social por natureza e precisa do convívio com o outro, dos estímulos e afetos trocados nas relacões.

È importante tratarmos deste tema, pois a dependência causa uma deterioração na Autonomia do ser humano, não só quando se trata de uma dependência a algo, como drogas, compras por exempolo, mas também quando ela é focada em uma outra pessoa. No próximo texto, falarei sobre os sintomas e padrões de comportamento da Dependência e Co-dependência afetiva. sérios. Sentir necessidade de sempre no meio de um grupo de pessoas pode ser uma atitude saudável mas também pode ser um sinal de uma “fobia social ao contrário”, ou à dependência emocional e psíquica ao outro.

Por: Roberto Dantas Vieira - Psicólogo, psicanalista e Sociólogo com Especialização em Psicologia Hospitalar, Teoria Psicanalítica e Mestrado em Psicologia

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Commentários

Amanda

Acho que eu tenho isso.

07 de maio 2018 - 0:00AMReply

Everaldo Silva

Agora ficou mais claro...Me esclareceu muita coisa na minha vida e da minha familia.

Maio 01, 2018 - 7:40AMReply

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